Saltar para o conteúdo

Finanças

Apresentação à Banca Portuguesa para Restauração — Checklist Completa 2026

Tudo o que CGD, BPI, Millennium, Santander e Novo Banco exigem para aprovar financiamento a restaurantes, cafés e bares em Portugal: DSCR, Sources & Uses, mapa de amortização, capital próprio mínimo, garantias e erros que matam candidaturas.

Equipa Savoris
14 min de leitura

A banca portuguesa rejeita 4 em cada 10 pedidos de financiamento para restauração. Não porque os projetos sejam todos maus — mas porque a maioria é apresentada de forma errada. Este guia mostra exatamente o que CGD, BPI, Millennium, Santander e Novo Banco querem ver, com critérios numéricos concretos.

Resumo brutal: Para passar na banca portuguesa em 2026, precisa de capital próprio ≥25% do CAPEX, DSCR médio ≥1.20, cash-flow acumulado positivo no Y2-Y3, e um dossier financeiro completo com Sources & Uses, mapa de amortização e análise de cenários. Os detalhes estão abaixo.

Para quem é este guia

  • Empresário a preparar pedido de financiamento para restaurante / café / bar
  • Promotor a candidatar-se a Portugal 2030, IFRRU ou Linha BEI
  • Operador em expansão (segunda unidade, conversão de conceito)
  • Consultor / contabilista a apoiar cliente em apresentação bancária

O documento único que a banca quer

A primeira confusão a desfazer: a banca portuguesa não pede 3 documentos separados (estudo de viabilidade + projeção financeira + plano de negócios). Pede UM, normalmente chamado “Estudo de Viabilidade Económico-Financeira” ou “Plano de Negócios” — depende do gestor de conta. Indiferente do nome, esse documento tem que conter:

  1. Apresentação do projeto e promotores (narrativa + CVs)
  2. Análise de mercado (concorrência local, demografia, sazonalidade)
  3. Plano operacional (espaço, equipa, fornecedores, licenciamento)
  4. Modelo financeiro (P&L 3-5 anos, cash-flow, indicadores)
  5. Plano de financiamento (Sources & Uses, amortização, DSCR)
  6. Análise de risco (matriz + mitigações + cenários)
  7. Anexos (documentação societária, CVs, orçamentos, pré-acordos)

Documento típico: 40-60 páginas Word + anexo Excel financeiro auditável. Pode usar o template Savoris Estudo de Viabilidade (€550 DIY) que já tem esta estrutura completa.


Os critérios numéricos que decidem aprovação

1. Capital próprio mínimo

A banca quer ver “skin in the game” — pele em risco do promotor. Critérios típicos PT 2026:

Capital próprio (% do CAPEX)Perfil de risco percebido
≥ 40%Excelente — banca compete para financiar
25-40%Saudável — aprovação provável se números resistirem
10-25%Marginal — exige garantias adicionais, juro mais alto
< 10%Alto risco — quase sempre rejeitado

Importante: capital próprio não significa só dinheiro no banco. Inclui:

  • Entradas em caixa pelos sócios
  • Equipamento já comprado (avaliado)
  • Imóvel cedido em direito de uso (valor estimado)

2. DSCR (Debt Service Coverage Ratio)

O indicador rei. Mede se o cash-flow operacional cobre o serviço da dívida (capital + juros pagos por ano):

DSCR = Cash-flow Operacional ÷ (Capital + Juros pagos no ano)
DSCR médio (5 anos)Avaliação banca PT
≥ 1,40Excelente — projeto financia-se com folga
1,25 - 1,40Forte — banca aprova com tranquilidade
1,00 - 1,25Aceitável apertado — pode haver renegociação de prazo
< 1,00Insuficiente — quase certa rejeição

CGD e BPI rejeitam consistentemente projetos com DSCR < 1,20. Millennium e Santander são marginalmente mais flexíveis se houver garantias fortes.

3. Cash-flow acumulado positivo

A banca quer ver quando o cash-flow operacional acumulado vira positivo:

Ano que vira positivoAvaliação
Y2Excelente
Y3Normal (a maioria dos projetos saudáveis)
Y4-Y5Tolerável se justificado (operações grandes)
Após Y5Mau sinal — repensar pressupostos

4. Margem EBIT

Restauração tem margens estruturalmente baixas. Critérios:

Margem EBITPerfil
> 20%Excecional (raro em restauração)
12-20%Saudável
5-12%Marginal (vulnerável a choques)
< 5%Não dá folga para erros

As 6 peças do dossier financeiro

Peça 1: Pressupostos operacionais

Tudo começa aqui. Banca quer ver:

  • Lugares + rotação + dias + semanas → vendas projetadas
  • Ticket médio (almoço + jantar separadamente, se aplicável)
  • CMV (Custo Mercadoria Vendida) — % sobre vendas
  • Custos fixos mensais discriminados (renda, eletricidade, etc.)
  • Pessoal — função, número, salário, TSU 23,75%

Erro comum: ticket médio inflacionado. Se o restaurante similar ao lado tem ticket €13, dificilmente vai ter €18 sem diferenciação CLARA.

Peça 2: CAPEX detalhado

Investimento inicial discriminado por categoria. Deve incluir:

  • Obras e adaptação
  • Equipamento de cozinha
  • Equipamento de sala
  • Sistemas (POS, software)
  • Licenciamento
  • Marketing e lançamento
  • Fundo de maneio (3 meses operação) — peça muitas vezes esquecida

Total típico restauração pequena/média PT 2026: €80k - €300k.

Peça 3: Demonstração de Resultados (P&L)

Compatível SNC, projeção 3-5 anos:

  • Vendas
  • (-) CMV
  • (-) Comissões delivery (se aplicável)
  • = Margem Bruta
  • (-) Pessoal (incluindo TSU)
  • (-) Custos fixos
  • (-) Amortizações
  • = EBIT
  • (-) IRC PME OE2026 (15% até €50k + 19% excedente)
  • = Resultado Líquido

Peça 4: Cash-Flow projetado

Distinguir 3 tipos:

  • Cash-flow operacional (RL + Amortizações)
  • Cash-flow de investimento (-CAPEX no Y0)
  • Cash-flow acumulado (essencial — banca olha para isto)

Peça 5: Sources & Uses (Origem e Aplicação de Fundos)

Mapa que mostra de onde vem o dinheiro e em que é aplicado:

Origem dos Fundos:

  • Capital próprio do(s) promotor(es) — €X (Y%)
  • Financiamento bancário solicitado — €X (Y%)
  • TOTAL — €X (100%)

Aplicação dos Fundos:

  • CAPEX — €X (100%)

Banca quer ver imediatamente: % capital próprio vs. financiamento. Se < 25%, mau sinal.

Peça 6: Mapa de amortização + DSCR

Para cada ano (idealmente 5):

  • Saldo inicial da dívida
  • Capital amortizado no ano
  • Juros pagos no ano
  • Saldo final da dívida
  • Cash-flow operacional do ano
  • DSCR = CF Op ÷ (Capital + Juros)

E no fim: DSCR médio + veredicto.


Análise de cenários — o que diferencia bons dossiers

A banca não acredita em “Base é o que vai acontecer”. Quer ver:

  • Cenário Pessimista — vendas -15%, CMV +3pp, custos fixos +5%
  • Cenário Base — entradas reais
  • Cenário Otimista — vendas +10%, CMV -2pp, custos fixos -3%

E para cada um: EBIT, RL, DSCR.

Critério: se o Pessimista mantém EBIT positivo, o projeto é considerado robusto. Se vai a prejuízo, identifique a variável mais sensível e reforce mitigações.


Garantias que a banca tipicamente exige

Para restauração em Portugal:

  1. Livrança em branco (assinada pelos sócios, padrão)
  2. Aval pessoal dos promotores (até 100% do crédito é normal)
  3. Hipoteca sobre imóvel se houver compra (raro em restauração)
  4. Penhor de equipamento (cozinha, mobiliário)
  5. Caução de tesouraria (1-3 meses de prestação em conta bloqueada)
  6. Seguro de vida sobre o promotor principal (algumas bancas exigem)

Tendência 2026: menos hipotecas (arrendamentos), mais avales pessoais + caução. Negocie sempre — a primeira proposta da banca não é a última.


Estrutura típica de prazo e juro

Para restauração CAPEX €100k-€500k em 2026:

VariávelFaixa típica
Prazo5-10 anos (não deve exceder vida útil do equipamento)
Carência de capital6-12 meses (negociável, pedir explicitamente)
Taxa juro (TAN)4,5% - 7% (depende do spread + Euribor + perfil de risco)
Comissões iniciais0,5% - 1,5% do montante
Imposto do Selo0,5% do crédito utilizado / ano
Seguro vida (obrigatório)0,3% - 0,8% do capital em dívida / ano

A TAEG (Taxa Anual Efetiva Global, que inclui tudo) é tipicamente 1,5-2pp acima da TAN.


Os 7 erros que matam candidaturas

1. Vendas otimistas demais

“Vamos faturar 50k/mês desde o primeiro mês.” Restaurante novo tipicamente faz 50-70% do potencial nos primeiros 6 meses. Solução: projetar Y1 conservadoramente, crescer Y2-Y3.

2. Custos fixos subestimados

Esquecer eletricidade real, gás, manutenção, software. Solução: orçamentos formais de fornecedores antes de fechar pressupostos.

3. Pessoal projetado sem TSU

TSU patronal 23,75% + 14 meses + subsídio alimentação aumenta custo pessoal em ~40% face ao vencimento bruto. Solução: sempre incluir TSU + 14 meses no modelo.

4. Capital próprio “criativo”

Inflacionar valor de equipamento próprio para fingir capital. Banca audita. Solução: ser conservador na avaliação de bens em espécie.

5. Falta de Sources & Uses claro

Mostrar montantes globais sem detalhar de onde vem e em que vai. Solução: tabela explícita com %.

6. Sem análise de cenários

“O Plano é só Base.” Banca pensa: “Este promotor não pensou no que pode correr mal.” Solução: cenários Pessimista/Base/Otimista obrigatórios.

7. Apresentação visual pobre

Excel desformatado, números sem contexto, fórmulas obscuras. Solução: documento com identidade visual cuidada, fórmulas auditáveis com named ranges, gráficos profissionais.


O que distingue uma apresentação “OK” de uma EXCELENTE

ComponenteApresentação OKApresentação Excelente
Horizonte3 anos5 anos com Y1-Y3 detalhado + Y4-Y5 projetado
CenáriosSó Base3 cenários com veredicto automático
DSCRCalculado anualCalculado ano a ano + médio + comparado a critério banca
SensibilidadeInexistentePor variável-chave (vendas, CMV)
FórmulasHardcodedNamed ranges auditáveis
ApresentaçãoPDF do ExcelWord narrativa + Excel auditável + (opcional) Slide deck
Aviso legalInexistenteDisclaimer técnico + recomendação validação OCC

Como o template Savoris ajuda

O nosso Estudo de Viabilidade (€550 DIY) inclui todas estas peças, formatadas e prontas a apresentar:

  • Excel 12 folhas com Pressupostos, CAPEX, Vendas, P&L 5 anos, Cash-flow, Análise (VAL/TIR/Payback/Break-even), Cenários (Pess/Base/Otim), Projeção 5 anos, Plano de Financiamento com DSCR, Notas Fiscais OE2026
  • Word com proteção readOnly + campos editáveis delimitados (não pode apagar conteúdo essencial por engano)
  • PDF guia 11 páginas com glossário, templates email banca, checklist e validação técnica

O template foi stress-testado em 10 cenários cobrindo €50k a €3M — fórmulas bulletproof.


Próximo passo

Se vai apresentar a banca nos próximos 30-60 dias, faça assim:

  1. Compre o template Estudo de Viabilidade (€550 DIY ou €650 com sessão de 45 min)
  2. Preencha em 2-3 sessões de 1-2h (total 5-9h)
  3. Reveja com Contabilista Certificado (essencial antes de qualquer apresentação)
  4. Imprima em PDF (não envie Word editável)
  5. Apresente acompanhado de email profissional (template incluído no PDF guia)

Em alternativa, agende sessão estratégica gratuita de 30 min com a Savoris para validar a sua estratégia antes de avançar.


Aviso importante

A Savoris não garante aprovação de financiamento bancário. Os critérios apresentados são típicos do mercado português em 2026 mas cada banco aplica os seus próprios processos de análise de risco. A apresentação deve sempre ser validada por Contabilista Certificado (OCC) inscrito na Ordem dos Contabilistas Certificados antes de utilização vinculativa.

Pronto para aplicar isto ao seu negócio?

45 minutos. Sem custos. Saímos da chamada com 3 ações concretas para o seu contexto.

Agendar Sessão Gratuita