Finanças
Apresentação à Banca Portuguesa para Restauração — Checklist Completa 2026
Tudo o que CGD, BPI, Millennium, Santander e Novo Banco exigem para aprovar financiamento a restaurantes, cafés e bares em Portugal: DSCR, Sources & Uses, mapa de amortização, capital próprio mínimo, garantias e erros que matam candidaturas.
A banca portuguesa rejeita 4 em cada 10 pedidos de financiamento para restauração. Não porque os projetos sejam todos maus — mas porque a maioria é apresentada de forma errada. Este guia mostra exatamente o que CGD, BPI, Millennium, Santander e Novo Banco querem ver, com critérios numéricos concretos.
Resumo brutal: Para passar na banca portuguesa em 2026, precisa de capital próprio ≥25% do CAPEX, DSCR médio ≥1.20, cash-flow acumulado positivo no Y2-Y3, e um dossier financeiro completo com Sources & Uses, mapa de amortização e análise de cenários. Os detalhes estão abaixo.
Para quem é este guia
- Empresário a preparar pedido de financiamento para restaurante / café / bar
- Promotor a candidatar-se a Portugal 2030, IFRRU ou Linha BEI
- Operador em expansão (segunda unidade, conversão de conceito)
- Consultor / contabilista a apoiar cliente em apresentação bancária
O documento único que a banca quer
A primeira confusão a desfazer: a banca portuguesa não pede 3 documentos separados (estudo de viabilidade + projeção financeira + plano de negócios). Pede UM, normalmente chamado “Estudo de Viabilidade Económico-Financeira” ou “Plano de Negócios” — depende do gestor de conta. Indiferente do nome, esse documento tem que conter:
- Apresentação do projeto e promotores (narrativa + CVs)
- Análise de mercado (concorrência local, demografia, sazonalidade)
- Plano operacional (espaço, equipa, fornecedores, licenciamento)
- Modelo financeiro (P&L 3-5 anos, cash-flow, indicadores)
- Plano de financiamento (Sources & Uses, amortização, DSCR)
- Análise de risco (matriz + mitigações + cenários)
- Anexos (documentação societária, CVs, orçamentos, pré-acordos)
Documento típico: 40-60 páginas Word + anexo Excel financeiro auditável. Pode usar o template Savoris Estudo de Viabilidade (€550 DIY) que já tem esta estrutura completa.
Os critérios numéricos que decidem aprovação
1. Capital próprio mínimo
A banca quer ver “skin in the game” — pele em risco do promotor. Critérios típicos PT 2026:
| Capital próprio (% do CAPEX) | Perfil de risco percebido |
|---|---|
| ≥ 40% | Excelente — banca compete para financiar |
| 25-40% | Saudável — aprovação provável se números resistirem |
| 10-25% | Marginal — exige garantias adicionais, juro mais alto |
| < 10% | Alto risco — quase sempre rejeitado |
Importante: capital próprio não significa só dinheiro no banco. Inclui:
- Entradas em caixa pelos sócios
- Equipamento já comprado (avaliado)
- Imóvel cedido em direito de uso (valor estimado)
2. DSCR (Debt Service Coverage Ratio)
O indicador rei. Mede se o cash-flow operacional cobre o serviço da dívida (capital + juros pagos por ano):
DSCR = Cash-flow Operacional ÷ (Capital + Juros pagos no ano)
| DSCR médio (5 anos) | Avaliação banca PT |
|---|---|
| ≥ 1,40 | Excelente — projeto financia-se com folga |
| 1,25 - 1,40 | Forte — banca aprova com tranquilidade |
| 1,00 - 1,25 | Aceitável apertado — pode haver renegociação de prazo |
| < 1,00 | Insuficiente — quase certa rejeição |
CGD e BPI rejeitam consistentemente projetos com DSCR < 1,20. Millennium e Santander são marginalmente mais flexíveis se houver garantias fortes.
3. Cash-flow acumulado positivo
A banca quer ver quando o cash-flow operacional acumulado vira positivo:
| Ano que vira positivo | Avaliação |
|---|---|
| Y2 | Excelente |
| Y3 | Normal (a maioria dos projetos saudáveis) |
| Y4-Y5 | Tolerável se justificado (operações grandes) |
| Após Y5 | Mau sinal — repensar pressupostos |
4. Margem EBIT
Restauração tem margens estruturalmente baixas. Critérios:
| Margem EBIT | Perfil |
|---|---|
| > 20% | Excecional (raro em restauração) |
| 12-20% | Saudável |
| 5-12% | Marginal (vulnerável a choques) |
| < 5% | Não dá folga para erros |
As 6 peças do dossier financeiro
Peça 1: Pressupostos operacionais
Tudo começa aqui. Banca quer ver:
- Lugares + rotação + dias + semanas → vendas projetadas
- Ticket médio (almoço + jantar separadamente, se aplicável)
- CMV (Custo Mercadoria Vendida) — % sobre vendas
- Custos fixos mensais discriminados (renda, eletricidade, etc.)
- Pessoal — função, número, salário, TSU 23,75%
Erro comum: ticket médio inflacionado. Se o restaurante similar ao lado tem ticket €13, dificilmente vai ter €18 sem diferenciação CLARA.
Peça 2: CAPEX detalhado
Investimento inicial discriminado por categoria. Deve incluir:
- Obras e adaptação
- Equipamento de cozinha
- Equipamento de sala
- Sistemas (POS, software)
- Licenciamento
- Marketing e lançamento
- Fundo de maneio (3 meses operação) — peça muitas vezes esquecida
Total típico restauração pequena/média PT 2026: €80k - €300k.
Peça 3: Demonstração de Resultados (P&L)
Compatível SNC, projeção 3-5 anos:
- Vendas
- (-) CMV
- (-) Comissões delivery (se aplicável)
- = Margem Bruta
- (-) Pessoal (incluindo TSU)
- (-) Custos fixos
- (-) Amortizações
- = EBIT
- (-) IRC PME OE2026 (15% até €50k + 19% excedente)
- = Resultado Líquido
Peça 4: Cash-Flow projetado
Distinguir 3 tipos:
- Cash-flow operacional (RL + Amortizações)
- Cash-flow de investimento (-CAPEX no Y0)
- Cash-flow acumulado (essencial — banca olha para isto)
Peça 5: Sources & Uses (Origem e Aplicação de Fundos)
Mapa que mostra de onde vem o dinheiro e em que é aplicado:
Origem dos Fundos:
- Capital próprio do(s) promotor(es) — €X (Y%)
- Financiamento bancário solicitado — €X (Y%)
- TOTAL — €X (100%)
Aplicação dos Fundos:
- CAPEX — €X (100%)
Banca quer ver imediatamente: % capital próprio vs. financiamento. Se < 25%, mau sinal.
Peça 6: Mapa de amortização + DSCR
Para cada ano (idealmente 5):
- Saldo inicial da dívida
- Capital amortizado no ano
- Juros pagos no ano
- Saldo final da dívida
- Cash-flow operacional do ano
- DSCR = CF Op ÷ (Capital + Juros)
E no fim: DSCR médio + veredicto.
Análise de cenários — o que diferencia bons dossiers
A banca não acredita em “Base é o que vai acontecer”. Quer ver:
- Cenário Pessimista — vendas -15%, CMV +3pp, custos fixos +5%
- Cenário Base — entradas reais
- Cenário Otimista — vendas +10%, CMV -2pp, custos fixos -3%
E para cada um: EBIT, RL, DSCR.
Critério: se o Pessimista mantém EBIT positivo, o projeto é considerado robusto. Se vai a prejuízo, identifique a variável mais sensível e reforce mitigações.
Garantias que a banca tipicamente exige
Para restauração em Portugal:
- Livrança em branco (assinada pelos sócios, padrão)
- Aval pessoal dos promotores (até 100% do crédito é normal)
- Hipoteca sobre imóvel se houver compra (raro em restauração)
- Penhor de equipamento (cozinha, mobiliário)
- Caução de tesouraria (1-3 meses de prestação em conta bloqueada)
- Seguro de vida sobre o promotor principal (algumas bancas exigem)
Tendência 2026: menos hipotecas (arrendamentos), mais avales pessoais + caução. Negocie sempre — a primeira proposta da banca não é a última.
Estrutura típica de prazo e juro
Para restauração CAPEX €100k-€500k em 2026:
| Variável | Faixa típica |
|---|---|
| Prazo | 5-10 anos (não deve exceder vida útil do equipamento) |
| Carência de capital | 6-12 meses (negociável, pedir explicitamente) |
| Taxa juro (TAN) | 4,5% - 7% (depende do spread + Euribor + perfil de risco) |
| Comissões iniciais | 0,5% - 1,5% do montante |
| Imposto do Selo | 0,5% do crédito utilizado / ano |
| Seguro vida (obrigatório) | 0,3% - 0,8% do capital em dívida / ano |
A TAEG (Taxa Anual Efetiva Global, que inclui tudo) é tipicamente 1,5-2pp acima da TAN.
Os 7 erros que matam candidaturas
1. Vendas otimistas demais
“Vamos faturar 50k/mês desde o primeiro mês.” Restaurante novo tipicamente faz 50-70% do potencial nos primeiros 6 meses. Solução: projetar Y1 conservadoramente, crescer Y2-Y3.
2. Custos fixos subestimados
Esquecer eletricidade real, gás, manutenção, software. Solução: orçamentos formais de fornecedores antes de fechar pressupostos.
3. Pessoal projetado sem TSU
TSU patronal 23,75% + 14 meses + subsídio alimentação aumenta custo pessoal em ~40% face ao vencimento bruto. Solução: sempre incluir TSU + 14 meses no modelo.
4. Capital próprio “criativo”
Inflacionar valor de equipamento próprio para fingir capital. Banca audita. Solução: ser conservador na avaliação de bens em espécie.
5. Falta de Sources & Uses claro
Mostrar montantes globais sem detalhar de onde vem e em que vai. Solução: tabela explícita com %.
6. Sem análise de cenários
“O Plano é só Base.” Banca pensa: “Este promotor não pensou no que pode correr mal.” Solução: cenários Pessimista/Base/Otimista obrigatórios.
7. Apresentação visual pobre
Excel desformatado, números sem contexto, fórmulas obscuras. Solução: documento com identidade visual cuidada, fórmulas auditáveis com named ranges, gráficos profissionais.
O que distingue uma apresentação “OK” de uma EXCELENTE
| Componente | Apresentação OK | Apresentação Excelente |
|---|---|---|
| Horizonte | 3 anos | 5 anos com Y1-Y3 detalhado + Y4-Y5 projetado |
| Cenários | Só Base | 3 cenários com veredicto automático |
| DSCR | Calculado anual | Calculado ano a ano + médio + comparado a critério banca |
| Sensibilidade | Inexistente | Por variável-chave (vendas, CMV) |
| Fórmulas | Hardcoded | Named ranges auditáveis |
| Apresentação | PDF do Excel | Word narrativa + Excel auditável + (opcional) Slide deck |
| Aviso legal | Inexistente | Disclaimer técnico + recomendação validação OCC |
Como o template Savoris ajuda
O nosso Estudo de Viabilidade (€550 DIY) inclui todas estas peças, formatadas e prontas a apresentar:
- Excel 12 folhas com Pressupostos, CAPEX, Vendas, P&L 5 anos, Cash-flow, Análise (VAL/TIR/Payback/Break-even), Cenários (Pess/Base/Otim), Projeção 5 anos, Plano de Financiamento com DSCR, Notas Fiscais OE2026
- Word com proteção readOnly + campos editáveis delimitados (não pode apagar conteúdo essencial por engano)
- PDF guia 11 páginas com glossário, templates email banca, checklist e validação técnica
O template foi stress-testado em 10 cenários cobrindo €50k a €3M — fórmulas bulletproof.
Próximo passo
Se vai apresentar a banca nos próximos 30-60 dias, faça assim:
- Compre o template Estudo de Viabilidade (€550 DIY ou €650 com sessão de 45 min)
- Preencha em 2-3 sessões de 1-2h (total 5-9h)
- Reveja com Contabilista Certificado (essencial antes de qualquer apresentação)
- Imprima em PDF (não envie Word editável)
- Apresente acompanhado de email profissional (template incluído no PDF guia)
Em alternativa, agende sessão estratégica gratuita de 30 min com a Savoris para validar a sua estratégia antes de avançar.
Aviso importante
A Savoris não garante aprovação de financiamento bancário. Os critérios apresentados são típicos do mercado português em 2026 mas cada banco aplica os seus próprios processos de análise de risco. A apresentação deve sempre ser validada por Contabilista Certificado (OCC) inscrito na Ordem dos Contabilistas Certificados antes de utilização vinculativa.